segunda-feira, 30 de abril de 2012

Recordações


À noite quando as ondas quebram sorrateiramente no escarpado, enquanto a cidade dorme, é que percebo o que sou, o que sinto. É quando as portas da alma se abrem, sendo estas maiores que e mais pesadas que as da consciência e as do coração, e enfim posso ser quem realmente sou, sem mascaras, sem algemas, sem preceitos dogmáticos a serem seguidos. É quando renasço de mim e encontro você, sentada também sobre suas próprias lembranças observando a lua pairar sobre o mar, recordando o indesejado tentando se libertar do passado. Compartilhamos então, sem perceber, sonhos, mágoas, experiências, a vida! E nesse momento o silêncio amigo acalenta mais do que um beijo apaixonado. Enquanto isso a noite passa, as estrelas caem, e o sol ressurge imponente e grandioso no horizonte, de olhos fechados sinto aquecer minha pele, e novamente a vida fluindo pela orla, ouço as flores se abrindo, os pássaros em revoada despertando. Novamente meu olhar cruza o teu, um gesto simples, um simples piscar de olhos e tudo é compreendido, a noite passou e com a ela a tempestade, o dia chegou e com ele a bonança, seus fantasmas adormeceram e a paz reina momentânea. E não importa se por muito ou pouco tempo, porque eternidade coexiste com o cair de uma gota de orvalho. Não importa o que passamos, mas sim o que nos tornamos.

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