terça-feira, 22 de maio de 2012


As minhas horas que antecedem a hora menos esperada.

Vinícius G. Azevedo.

E eu? O que acho da vida?
Depende do que se fala.
Coisas que atrás ficaram ou será coisas que ainda vão passar?
São algumas de minhas perguntas, que são tantas.
Faço-as mesmo com poucas respostas.
Só sei que tenho haveres que quero levar,
Do meu hoje pro meu amanhã, e porque não?
Meu corão que pulsa tanta vida, ainda.
Dos poucos anos que possuo.
Da minha bagagem, que não é pesada.
Tudo isso preciso levar, até que eu me definhe.

Às vezes falo de coisas que vi,
De coisas que sonho em ver.
Às vezes se confundem, não dá pra saber.
Mas são coisas que só falo.
Os mesmos poucos anos não me permitem conhece-las.
Ouvi de meus pais, a quem quero bem,
Dos meus companheiros de mais idade,
A quem também quero do mesmo modo.

As coisas que realmente já vi, levo-as comigo.
São saudades, que nostalgia me provoca.
São as dores não da casca, mas da alma.
Das quais, eu sendo menino ouvia, mas não as tinha.
Coisas que eram sérias brincadeiras.
Juntamente com as minhas juvenis pinturas a giz.
E minhas outras diabruras.

E hoje? O tempo me passa me tornas cada vez mais avisado,
Sem mais as traquinagens...
Pois o coração que pulsa a minha vida,
O se definhará como eu, juntamente a mim.
Por motivo dos anos, das coisas que passamos a não só ouvi-las.
Até alegria de nos acabarmos, dar fim, se assim agora fizermos bem.
A isto tudo que chamamos de viver.

Dar adeus a todas essas coisas ditas aqui?
Isso na hora de morrer? Ou será nascer?
O que esperar da hora menos esperada?
Morrer, ou nascer, o que será?
Se me coubesse escolha.
Assim faria querer que seja tudo sonho.
Pois seria a hora de acordar.

domingo, 20 de maio de 2012

A Deus



Quem sou eu? Eu também quero saber. Não sei se sou uma mera mortal ou simplesmente uma ninguém. Sou alguém que infringe as lei e deseja ser alguém, mas não alguém odiado, não alguém amado.
                Sou alguém fraco, que chora, ri, desespera e grita. Sou alguém criado por Deus, mas onde Ele está? Por que não me protege? Não sou ninguém. Desejo ser alguém. Não sei se corro atrás dos meus sonhos e decepciono muitos ou se levo a vida que queriam que eu levasse. Não, não estou infringindo as leis do homem ou se quer a lei de Deus.
                Por que temos tanta gente para confiar nos momentos difíceis, mas aquela que precisava estar ao nosso lado simplesmente te ignora ou não se importa com seus desejos? Deus, rogo mais uma vez por sua proteção. Que infortúnio! Meu corpo sente dores, mas minh’alma é a que mais clama. Eu não sei se tenho alma.
                Meu rosto está banhado em lágrimas, meus olhos estão vermelhos e minha mão treme. Não é nenhum mal físico, é psicológico. E eu apenas sinto a dor das minhas palavras.
                Esperar, morrer ou fugir? Em um momento de raiva, a gente não sabe o que faz. Cada um acha uma resposta mais certa, mas eu não sei o que fazer agora. Meu sorriso esconde grande angustia. Deus, você percebe minha dor?
                Eu queria sumir. Não aguento mais tanta dor. Arrancaria meus males pela raiz se fosse possível, mas quem sou eu pra fazer alguma coisa certa ou boa? Eu não sou ninguém. Eu sou alguém cansado de tudo e de todos.
                Só comigo as coisas são assim? Por que quando faço as coisas certas ninguém vê? Eu adoro estragar tudo, porque assim me torno alguém inútil. Não, eu não posso ser alguém com talento, sempre haverá uma barreira que eu terei de respeitar, ou não, posso mandar tudo pelos ares e correr atrás do que eu gosto.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os desenhos das nuvens


O avião voava sob as nuvens. Imaginar que estava a mais de doze mil pés do chão causa uma sensação de desconforto. Talvez por isso, passei a observar as nuvens. Vistas por cima também é diferente. Eu olhava pela janela da aeronave e me deparava com quilômetros e quilômetros de véu branco. Um véu aparentimente sensível, que se partiria com um leve toque. Porém forte o suficiente para bloquear os raios do Sol. Como pode algo tão delicado ser capaz de nos proteger dos violentos raios solares?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Flor-de-Lis

Todos os dias, pouco antes do romper da aurora, um homem após se levantar, contempla o quarto dos filhos, e vai ao jardim. Chegando lá se depara com rosas, margaridas, fuchsias, flores-de-lótus entre outras, e com o romper da aurora ao desabrochar da mais bela flor a recolhe. Retorna ao quarto e a deixa ao lado de sua mulher com um bilhete. 

" Eis aqui a mais bela flor do romper da aurora, delicada como o toque da brisa da manhã, de aroma e frescor agradáveis como as ervas do campo, ainda contendo a doçura do balsamo noturno e adormecida, perdida em seu próprio mundo. " 

Novamente ele se retira do quarto, fecha a porta e desce as escadas, adentra um comodo escuro, repleto de livros, com partituras pelo chão, e instrumentos de todos os tipo pelas paredes. Abre as cortinas permitindo assim que os primeiros raios do sol o façam companhia, puxa uma cadeira e sobre ela se assenta, à sua frente uma estante com partituras inacabadas, ao seu lado um velho cello, em uma das mãos uma nanquim e na alma um só propósito: Despertar sua amada. E em uma ultima fagulha de esperança se ajoelha, e ora, pedindo ao Criador que lhe dê forças. Mais uma vez se levanta, e com seus dedos já cansados empulha o arco, acomoda o cello sobre o peito amargurado, e então toca. As cordas vibram, e o som ressoa pela casa, atravessa o comodo e as portas de madeira, passa pela escada, adentra o quarto, e se extingue. As janelas se abrem, a brisa da manhã sopra lentamente e toca a face da mulher trazendo com sigo os as flores do jardim e a esperança de um homem eternamente apaixonado. Enquanto isso ele toca, o arco se movendo para um lado e para outro, as cordas vibrando, seus dedos subindo e descendo pelo braço do instrumento, como se todo seu sentimento transbordasse a alma escorrendo por seus dedos, provindo do mais profundo de sua alma, do seu mais sincero anseio de vida, do seu mais puro e profundo amor. De olhos fechados ele encerra sua sonata, e logo que os abre uma lagrima cai em sua face acariciando-a, recostada ao umbral da porta à sua frente uma mulher, ainda sonolenta, a mais bela imagem que seus olhos já contemplaram, sua amada vestida de seda preta contrastante com seu alvo sorriso e com a mais bela flor do romper da aurora sobre o peito, uma flor-de-lis.


Anjo ou Desvirtuador?


Uma pedra qualquer, de uma cachoeira distante, a maior e mais harmoniosa.
 Senti  alguém me observando , não era normal barulhos contraditórios a natureza. Uma incógnita como se eu gostasse do incerto. 
Respingos de água em meu rosto batia, nos lábios um beijo cauteloso, 
O que a pele pouco sente, o coração diz,  do ar mais puro, em meus cabelos um carinho condiz.
Gritar novamente ? Por favor não vá, por mais que meus olhos sejam inferiores a sua imagem, pode me dizer mais sobre você? O que quer de mim?
O vento sussurrava e nas arvores movimentos bruscos fazia , fazendo todo meu contorno.
As folhas faziam um percusso, o que tudo dizia o segredo morreria no fim desse caminho.
Nao era curiosidade propriamente dita, mais sim fruto da ansiedade por me escolher.
Andar entre as pedras passo a passo avistando qualquer coisa que fosse incomum , aonde esse percusso terminaria? nao queria raciocinar dane-se se eu me tornaria uma suicida.
Me importava apenas saber o que era tudo aquilo.
As folhas sumiram. O vento se acalmou, a água  finalizou .
Agora responda quem eh você..
O único que pode te proteger dos pesadelos quando teus olhos fecham, o único que pode te desviar de caminhos obscuros, o único que pode te acariciar levemente sua pele delicada, o único que pode dar a doçura do beijo e o calor do abraco. 
Aqui sempre me acharas. Nao sei se sou anjo ou demônio.Com o tempo somente você saberá.















terça-feira, 1 de maio de 2012

Preciso


Em seus lábio escorrem sangue
Que caminha vagamente em seu leito de morte
A pele fria como gelo
O doce rosto sem vida

Quantas bocas beijou?
Quantas paixões despertou?
Frio, agora não só da noite
Saudade? Palavra sem tradução

Estou assustado
A quero aqui mas não tem solução
Oh anjos, cuide dela por mim
Oh solidão, por favor, vele-me

Em meus olhos lágrimas escorrem
Isso que é dor?
Por favor, demônios, não posso me sentir assim
Eu a quero bem, eu a quero feliz, eu a quero aqui

Sentimentos incertos
Desejos impossíveis
Deus, também sou teu filho
Eu preciso dela aqui

Um em Dois


Porque é que as balinhas boas são sempre poucas e as ruins são tantas?- Ela disse olhando atenciosamente para o pacote de jujuba “gominha”, e Ele respondeu com um sorriso – Para aprendermos a escolher bem e não colocar qualquer porcaria na boca – Ela sorriu. E ali eles continuaram sentados, em um declive gramado de uma praça qualquer, compartilhando um fone auricular e ouvindo a playlist que ela montara, enquanto o fim de tarde passava e a luz do sol cada vez mais afastava a sombra das árvores que os rodeavam refletindo os belos olhos castanho-esverdeados dela. Para ele aquilo era como dormir de olhos abertos e acordar sem saber o que havia sonhado como sempre acontecia com ela. A amizade dos dois surgiu como uma mina d’agua que brota das camadas mais profundas do coração e segue correndo livremente, descobrindo vales, cavernas, e desembocando em um rio de novas possibilidades, tão natural quanto um rio que corre para o mar e os pássaros migram no inverno. Dois corpos partilhando uma alma, ou duas almas irmanadas como ela costumava dizer [enfim, não importa]; Dizem que quando se cuida do próprio jardim as borboletas vêm até você, eles eram o jardim um do outro, e também as borboletas, e não importa o que acontecesse um sempre estava ali para o outro, para retirar as ervas-daninhas do coração do outro, afastar os fantasmas, e se apoiar quando uma pedra surgisse no meio do caminho. Amizade, a manifestação Mor da união e perfeita comunhão dos sentimentos  humanos, assim eram os dois: amigos-irmãos-amantes-companheiros-umsóemdois.